
Conta-se que um homem no seu leito de morte resolveu fazer um pedido aos seus familiares: pediu para que não se colocasse nada no seu epitáfio; nem mesmo o seu nome, queria apenas uma palavra: PERDOADO. Essa história me fez lembrar a mensagem central do cristianismo. O evangelho é essencialmente a proclamação do poder do perdão divino. Sem perdão não haveria anúncio de boas-novas. Perdão é uma das palavras mais citada nas Escrituras. Uma palavra pequena, mas que tem um efeito grandioso. Perdão é a mão estendida dizendo: “ainda há jeito”. Este é o grande mistério do perdão, que faz com que muitos não entendam. Exemplo disso são as inúmeras indagações àqueles que se arrependem dos seus pecados. Entre essas perguntas, há uma que se repete: Como pode uma pessoa depois de praticar tantos pecados ser perdoada? Na primeira epístola de João encontramos a resposta: “Se confessarmos os nossos pecados, ele (Cristo) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1:9). É o próprio Cristo quem nos consola com esta certeza: “não vim chamar justos e sim pecadores ao arrependimento” (Mt. 9:13). No seu ministério terreno Cristo enfatizou constantemente a importância do perdão. Quando indagado - por alguns escribas e fariseus - sobre o procedimento a ser adotado para uma mulher apanhada em flagrante adultério, mesmo Cristo não concordando com seus erros, olhando firmemente em seus olhos, afirmou: “vai e não peques mais” (Jo. 8:1-11). Quando levado à Sua presença um paralítico para ser curado, Ele resolveu fazer algo mais importante antes de curá-lo: “homem estão perdoados os teus pecados” (Lc. 5:17-21). Martinho Lutero certa ocasião disse: “Quem continua a temer castigos ainda não ouviu a Cristo nem à voz do evangelho”. O perdão é tão significante na vida cristã, que o próprio Cristo nos advertiu que ao levarmos a nossa oferta no altar e, lembrarmos que temos alguma pendência com um irmão, devemos primeiro nos reconciliar com ele (Mt. 5:21-26). Na oração dominical Jesus disse que o perdão divino estaria associado ao perdão que exercemos: “porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt. 6:14-15). A ausência de uma busca sincera pelo perdão divino leva o indivíduo a uma situação de profunda angústia. O rei Davi teve essa terrível experiência, disse ele: “enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Sl 32:3). Davi também experimentou o refrigério do perdão divino e resolveu compartilhar o seu efeito: “Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Sl. 32:1). É de Kierkegaard a excelente recordação: “quando Deus perdoa, ele esquece, e pede a você que perdoe a si mesmo e que esqueça o passado”. Spurgeon contribui ao recomendar: “perdoe e esqueça. Quando você enterrar um cão raivoso, nunca deixe a cauda dele de fora”. Nunca esqueça as promessas de Cristo: “Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (I Jo. 2:1).
José Roberto de Souza
Esse artigo foi publicado no Jornal do Commércio - Caderno Cidades, no dia 15 de março de 2009.








0 comentários:
Postar um comentário